de Utilidade Pública Federal - Portaria no. 3935
de Utilidade Pública Estadual (RJ) - nº2464
de Utilidade Pública Municipal (RJ) - nº3048
detentora do Prêmio Estácio de Sá 2002

 

Zito Baptista Filho

Meu primeiro emprego no rádio foi em 1948, na Roquette-Pinto, onde conheci René Cavé e Tude de Souza, que trabalhava lá. Quando estes dois radialistas, inesquecíveis, foram para a Rádio MEC, convidaram-me para fazer parte do cast. Como, desde 1940, eu era redator do Instituto do Açúcar e do Álcool, fiquei acumulando os dois empregos. Mas houve um processo administrativo para acabar com a acumulação, e tive que optar. Escolhi ficar no IAA.
Em 1956, o então diretor artístico da Rádio MEC, Paulo Salgado, convidou-me para assumir o programa "Ópera Completa", que, anteriormente, era redigido por Perilo Moura Peixoto. Ao retornar para a Rádio, então, a impressão que tive foi de uma verdadeira e viva casa de cultura. Posso citar Mozart de Araújo, criador do programa "Música e Músicos do Brasil" (hoje feito por Lauro Gomes), Alberto Shatowsky, Sheila Yvert, Geny Marcondes, Luiz Cosme, Otto Maria Carpeaux, Alfredo Souto de Almeida, locutores como William Mendonça, José Assis, Garcia Xavier e tantos outros...
Em 1961, quando Murilo Miranda assumiu a direção, dinamizou a programação de uma forma excepcional. O intercâmbio com outros países, já iniciado anteriormente, aumentou. As retransmissões ao vivo do Teatro Municipal, eram uma preciosidade. Grandes virtuoses solavam com a OSN. Os grandes maestros, visitantes ou dos quadros da Rádio, regiam a OSN em vários eventos. A década de 50 até meados de 60 a 63, foi à fase áurea da Rádio MEC.
O "Ópera Completa", que produzo há 40 anos, é o mais antigo programa do rádio brasileiro. Foi criado e apresentado pelo próprio Roquette-Pinto, ainda na Rádio Sociedade. Nesse tempo, o programa ia direto para o ar, e eram usados discos de 78 rotações. Eu mesmo ainda peguei esse sistema. O progresso das gravações, porém, exige uma atualização da maneira de apresenta-las, tanto no que se refere à técnica de transmiti-las, como quanto ao conteúdo e à forma do texto. Sempre procurei situar no tempo autor e obra, alternar épocas e nacionalidades, variar o quanto possível os elencos, e pôr à disposição do público os intérpretes nacionais. Tem sido essa, em síntese, a nossa orientação nestes 40 anos de programa, onde foram ouvidas mais de 300 óperas ao longo de mais de 2000 audições.
Esse trabalho tornou possível relatar, no livro "A Ópera", lançado pela Nova Fronteira, em 1987, as origens e as fontes de 222 óperas, com seus resumos, ato por ato.
A colaboração dos ouvintes tem sido inestimável. Aqui, cabe ressaltar a colaboração de Stela Regina de Loiola Pádua, profunda conhecedora de ópera.

© Copyright SOARMEC 1999 -2005. Todos os direitos reservados.